Salaam, Ça Va!

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Bakunin


Salve Camaradas!

Bakunin é um tema sempre interessante. A história de vida dele confunde-se com a própria chegada da modernidade em terras russas. Filho da aristocracia terratenente da região de Tver, segue a tradição de ser educado fora da Rússia (assim como, por exemplo, Nicolau II também o foi). Bakunin vai estudar filosofia na Alemanha e seu contato com o idealismo hegeliano o leva para o extremo: o materialismo histórico de Ludwig Feuerbach (O homem É aquilo que come). E Europa encontrada por Bakunin, de fato, é muito mais material que ideal! A Revolução industrial tinha deixado sulcos profundos na sociedade. Entendam-me: a sociedade JÁ era desigual antes das Revoluções burguesas, mas o mundo europeu conhece um novo tipo de abismo social. O próprio espaço da cidade determina quem é rico e quem é pobre. Existem várias cidades numa cidade só. Entretanto - e isto era algo que incomodava não só o jovem Bakunin mas também outros, como Marx, Proudhon e Kropotkin - a teoria de Feuerbach era, de fato, muito teórica. Onde está a prática? Ela não tardaria a se mostrar. Os movimentos como a Revolução proletária em Paris (1848) pareciam a resposta prática ao materialismo feuerbachriano. Mas, neste ponto, a leitura de Bakunin e de Marx separam-se: ambos põem a culpa da desigualdade social na formulação do Estado (isto é, na hierarquização e na constituição da propriedade privada). Neste ponto Marx é mais moderado que Bakunin: ele diz que as pessoas que formam as instituições devem ser atacadas. Já Bakunin - que é do contra mesmo! - é contrário a idéia de instituição em si (para saber mais, dêem uma olhada em Comte e Èmile Durkheim): ele diz que ela deve desaparecer.

Em uma analogia pobre porém eficaz é como você reclamar no ônibus porque o motorista pega TODOS os passageiros que vê pela frente (mesmo o coletivo estando totalmente lotado). Marx diria que a reclamação deve ser feita ao condutor e a luta é, em primeiro momento, contra ele. Bakunin diria que o motorista é somente o representante de um sistema problemático! Então, nossa indignação deveria mirar a empresa de ônibus que orienta seu motorista a abarrotar o busão.

Em grande parte esta é a diferença entre o socialismo e o anarquismo: contra quem ou o que devemos dirigir nossa insatisfação.

...mas a gente continua conversando sobre...

4 comentários:

Por Afonso Bezerra disse...

Grande Albino!!!

Valeu, cara, pelos esclarecimentos sobre o Bakunin.

Muito pertinente e sensata a proposta dele. É uma indagação muito profunda para o estudo sobre a sociedade.

E como transformá-la: mudando sua estrutura para mudar quem a compõe, ou mudar a mentalidade do homem para transformaR a estrutura em que ele está inserido? E seria possível mudar um sem mudar o outro?

O que você acha sobre isso?

Abração, querido!!!

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Infelizmente o primeiro que aparece na nossa frente é quem leva a culpa, mesmo sabendo que ele não é o "errado" da história.
Infelizmente nem todos sabem que tudo faz parte de dado sistema, e culpam os pobres de baixo. Quando tomarem essa consciência(no qual duvido ser breve, pois temos a preguiça no dna brasileiro de aprender o novo, isso muda...

Por Afonso Bezerra disse...

Grande Albino.

Cara, achei um lance massa na internet sobre o AI-5. Dentro do projeto treinamento da Folha de São Paulo tem um Especial sobre o ato arretado, com tudo: áudio da reunião para download, fotos, destaques dos jornais, uma simulação da reunião, trecho de livros para download..Enfim,caro amigo..Um monte de coisa massa para estudo.

Segue o link...http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5/


Abração, querido!!!